Make your own free website on Tripod.com
Causos e Lendas
Aqui é o espaço reservado para você contar sua história vivida em nossa cidade.  Não fique de fora, mande-nos sua história que publicaremos.

 Enviada por AQUINOJMDE

Por falar em Miracema, lembro-me do dia em que bati o record de corrida e salto ao muro.
Torcedor do Miracemense - eu juro que antes a camisa tinha um vermelhinho em qualquer lugar, para não ser só alvinegra - sempre time muito trabalho para pular o muro do velho estádio da rua Laje, e sempre fiquei atrás do gol, perto do muro que dividia o campo com a casa da tia Antonia.
Era difícil pular o muro, porque o Zé Miséria era meu tio e, me reconhecendo em qualquer lugar, sempre me colocava para fora do estádio. E aí começava tudo novamente. Achar um lugar longe dos olhos dos pernas negras (polícia da época)e do Zé Miséria, honesto, durão, chato. Se os porteiros do Maracanã fossem iguais a ele, não haveria evasão de renda, eu juro.
Mas compensava a correria para ver de perto Jair Polaca, Plácido, Parfuso, França, Pitico. Especialmente me divertia com o medo do Pitico, que pulava fora só com o vento que o lateral advesário deslocava ao partir para cima dele, e em gritar "erra Jair, erra Jair...", quando ele pegava a bola. Errar o chute era a única forma dele acertar o gol.
Um dia contaram para o Polaca essa história e ele, tão meu amigo e tão importante para o esporte e o turismo de Miracema, ficou de olho em mim. Na primeira vez que partiu para o gol e chutou mais alto do que a mangueira do quintal da tia Antonia, olhou para mim. Ao ver que eu gritava "erra Jair...", continuou a corrida, de dedo em riste, em minha direção. Girei nos calcanhares descalços fiz os 10 metros em milésimos de segundos e saltei o muro da^cada da tia Antonio como um gato assustado. acho que sem usar as mãos.
É uma história que, como muitas vividas nesses anos todos, por esse mundo todo, nunca esqueci. E lembro de tê-la contado certa vez, pelos idos de 1977 ou 78, indo a Niteroi com Walter Abrhão e Ely Coimbra para comentar um jogo da Seleção Brasileira, pela falecida TV Tupi.
Durante a partida o ponta direita do Brasil chutou uma bola que deve ter ido parar em Icaraí, e o Ely Corimbra me perguntou se o chute me fazia lembrar do Jair Polaca e eu disse que sim. Mas que com o Polaca, meu ídolo de infância, a bola teria passado mais perto da trave.